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Dificuldade de colocar limites: por que dizer não gera culpa?

Entenda por que colocar limites pode gerar culpa, medo de decepcionar e dificuldade de dizer não, e como isso se relaciona com autoestima e relações.

8/18/20264 min read

Por que colocar limites pode gerar tanta culpa?

Dizer “não” parece uma coisa simples.

Mas, para algumas pessoas, colocar um limite vem acompanhado de uma série de sentimentos difíceis: culpa, medo de magoar, receio de parecer egoísta, preocupação com o que o outro vai pensar ou até aquela vontade de voltar atrás e fazer o que a outra pessoa queria.

Às vezes, você consegue dizer não — mas passa horas pensando se fez a coisa certa.

E talvez a dificuldade não esteja exatamente em saber qual é o seu limite. Muitas vezes, você sabe. O difícil é sustentar esse limite diante da reação do outro.

Por que é tão difícil dizer não?

Nossa maneira de nos relacionarmos não surge do nada.

Ao longo da vida, aprendemos quais comportamentos parecem garantir amor, aceitação, reconhecimento ou pertencimento.

Talvez você tenha aprendido que ser uma pessoa “boa” significa estar sempre disponível.

Que não pode decepcionar.

Que é melhor evitar conflitos.

Que precisa compreender o lado de todo mundo.

Que suas necessidades podem esperar.

Essas formas de existir podem ter feito sentido em determinados momentos da sua história. O problema aparece quando, para preservar a relação com o outro, você começa a abrir mão repetidamente da relação consigo.

Quando compreender todo mundo significa deixar de se escutar

É possível perceber que alguém está passando por um momento difícil e, ainda assim, reconhecer que determinada situação te machuca.

É possível amar uma pessoa e não aceitar determinada forma de tratamento.

É possível compreender os motivos de alguém sem assumir a responsabilidade por aquilo que essa pessoa sente.

Ainda assim, muitas pessoas vivem como se precisassem escolher:

ou eu cuido de mim, ou eu sou uma pessoa ruim.

E é justamente aí que colocar limites começa a produzir tanta culpa.

Quando passamos muito tempo organizando nossas escolhas a partir das expectativas dos outros, começar a considerar as próprias necessidades pode parecer egoísmo — mesmo quando não é.

A culpa nem sempre significa que você fez algo errado

Esse é um ponto importante.

Sentir culpa depois de colocar um limite não significa, necessariamente, que aquele limite foi injusto.

Às vezes, a culpa aparece simplesmente porque você está fazendo algo diferente daquilo que aprendeu durante muitos anos.

Se você sempre cedeu, dizer “não” pode causar estranhamento.

Se você sempre evitou conflitos, se posicionar pode parecer agressivo.

Se você sempre assumiu a responsabilidade pelo bem-estar das outras pessoas, permitir que alguém fique frustrado com a sua decisão pode parecer insuportável.

Por isso, uma pergunta interessante não é apenas:

“Estou me sentindo culpada?”

Mas também:

“Essa culpa está me mostrando que fiz algo contrário aos meus valores ou apenas que estou fazendo algo que ainda não estou acostumada a fazer?”

São coisas diferentes.

Colocar limites não significa controlar o outro

Existe também uma diferença importante entre limite e tentativa de controle.

Um limite não determina o que a outra pessoa precisa fazer. Ele comunica aquilo que você pode ou não pode sustentar em uma relação.

Por exemplo:

“Você não pode falar comigo desse jeito” pode facilmente virar uma disputa sobre o comportamento do outro.

Enquanto:

“Quando a conversa acontece dessa forma, eu prefiro interromper e retomá-la quando conseguirmos conversar com mais respeito”

fala sobre aquilo que você fará para cuidar de si naquela situação.

O outro continua tendo liberdade para escolher como agir.

E você também.

O que acontece quando você começa a mudar?

Nem sempre as pessoas ao nosso redor recebem nossos limites com tranquilidade.

Principalmente quando se beneficiavam da ausência deles.

Uma relação que estava acostumada com a sua disponibilidade irrestrita pode estranhar quando você começa a dizer não.

Alguém que estava acostumado a tomar decisões por você pode interpretar seu posicionamento como afastamento.

Isso não significa automaticamente que a relação é ruim ou que a outra pessoa seja mal-intencionada. Relações também precisam se reorganizar diante das mudanças.

Mas a reação do outro pode revelar muita coisa.

Existe espaço naquela relação para você mudar?

Para discordar?

Para dizer não?

Para ter necessidades diferentes?

Para existir sem precisar corresponder o tempo inteiro?

E se a pessoa ficar chateada comigo?

Talvez ela fique.

Uma das partes mais difíceis de construir limites é perceber que nem sempre será possível cuidar de si e, ao mesmo tempo, impedir que todas as pessoas ao redor sintam desconforto.

A frustração do outro não é automaticamente um sinal de que você fez alguma coisa errada.

Isso também não significa colocar limites de qualquer maneira ou deixar de considerar os sentimentos das pessoas.

É possível ser cuidadosa e firme.

É possível considerar o outro sem se abandonar.

É possível dizer não sem transformar a outra pessoa em inimiga.

O desafio está justamente em construir relações nas quais o cuidado com o outro não exija o desaparecimento de si.

O que os seus limites dizem sobre você?

Talvez colocar limites não seja apenas aprender a dizer “não”.

Pode ser aprender a perceber:

O que me faz bem?

O que me machuca?

Até onde consigo ir sem me violentar para manter uma relação?

Quais são as minhas necessidades?

O que estou fazendo porque realmente quero — e o que estou fazendo apenas porque tenho medo das consequências de não fazer?

Essas perguntas exigem contato consigo.

E, muitas vezes, é justamente esse contato que ficou enfraquecido depois de anos tentando corresponder às expectativas externas.

A psicoterapia pode ajudar nesse processo?

A psicoterapia não precisa ser um lugar onde alguém decide por você quais limites deve colocar ou quais relações deve manter.

Na Abordagem Centrada na Pessoa, que orienta o meu trabalho, buscamos construir um espaço no qual você possa compreender melhor aquilo que sente, suas necessidades, seus conflitos e a maneira como tem se relacionado consigo e com as outras pessoas.

Talvez a questão não seja simplesmente aprender uma técnica para dizer “não”.

Pode ser compreender por que dizer não é tão ameaçador.

De onde vem a necessidade de aprovação.

O que você teme perder quando se posiciona.

E como construir relações em que seja possível continuar sendo você.

Porque aprender a colocar limites também pode ser um processo de se reconhecer como alguém que merece ser considerado nas próprias escolhas.

Sou Emanuele Augusta, psicóloga, e realizo psicoterapia presencial no Jardim Guanabara, em Campinas, além de atendimento psicológico online.

Meu trabalho é orientado pela Abordagem Centrada na Pessoa, com foco em questões relacionadas a relações, limites, autoestima, autenticidade, autocobrança e processos de autoconhecimento.

Para conhecer meu trabalho ou verificar horários disponíveis, você pode entrar em contato pelo site.

CRP 06/198288